terça-feira, 23 de junho de 2015

CRÔNICAS DE AGALLAR

CRÔNICAS DE AGALLAR - NOITE NA TAVERNA

Parte 1

     Estavam, quatro aventureiros, saboreando um suculento porco assado e se refrescando com cerveja de anões, conhecida por ser a cerveja mais forte do reino de Agallar.
A Taverna Segrenelf, era um lugar medíocre, com poucas mesas e cadeiras para os clientes , ela tinha esse nome graças a um bravo guerreiro que defendeu a cidadela,os atendentes eram muito calorosos e receptivos apesar do porte do recinto.
 Os quatro aventureiros Nyhol, um feiticeiro de aparência cansada e fragil, Drornmi, um anão guerreiro com feições raivosas, Raslëaalta, um elfo de roupas leves e nariz de rapina , Vikhio, de meia idade e sem camisa exibindo suas sicatrises de batalha. Eram  velhos amigos, um grupo de viajantes.
 A essa altura só pensavam em relaxar, estavam cansados de tantos problemas que enfrentavam na estrada, aviam perdido vários companheiros, consequência de uma vida de aventuras, estavam juntos a mais de 10 anos e confiavam plenamente uns nos outros.
A noite estava quente e ar era pesado, a taverna estava razoavelmente cheia e todos bebiam alegres, algo no ar da noite incomodava os aventureiros.
E então, um grito estarrecedor ecoou por toda a cidade, uma figura negra como as sombras adentrou o recinto, todos ficaram em silencio, como se estivessem paralisados de terror, os olhos pareciam dois rubis ardentes sedentos por sangue.
 Vikhio levantou-se da cadeira, era como se uma montanha houvesse se deslocado, seus passos eram pesados, pegou seu martelo de guerra e, sem pestanejar partiu em direção a essa criatura, sua experiencia não foi capaz de dizer qual tipo de criatura era aquela mas sabia que avia algo de maligno.
 – Morra criatura desgraçada! – Gritou o bárbaro
  Girando seu martelo, partiu o que parecia ser a cabeça da “sombra”, com o impacto, a parede que estava atrás da criatura foi demolida, e a poeira se espalhou, sufocando a luz e obstruindo a visão.
Quem estava dentro da taverna pode ver a montanha de carne sendo arremessada de dentro da nuvem contra a parede do outro lado da taverna. Os amigos do Vikhio estavam boquiabertos, eles conheciam o bárbaro muito bem, sabiam o quão difícil era movê-lo devido a sua força e tamanho, que lhe renderam o apelido de montanha humana.         
– Você está bem Vikhio? – Perguntou Nyhol o feiticeiro.
– Eu pareço bem pra você? – Respondeu o bárbaro com um tom de fúria e com um olhar amedrontador.– Que Rewar me dê forças para enfrentar essa coisa.
Vikhio levantou e andou cauteloso, andou em direção à criatura que o encarava com  olhos brilhantes e aterrorizantes.
 O anão interviu com uma pergunta a qual ja sabia a resposta.
 – Você sabe que não é capas de vence-lo sozinho não é Vikhio?
– Cale a boca anão, eu quero esse maldito morto, e que ele tombe pela minha mão. – Respondeu o bárbaro com desdenho, seus músculos estavam doloridos.
– Você quem sabe bárbaro. – Disse Drornmi com um tom sarcástico.
Aproximando-se da “sombra”, Vikhio sentiu o toque gelado de uma mão gélida, fria como a de um cadáver, sentiu-se apavorado a principio, continuou olhando os olhos da criatura sem saber o que fazer.
A criatura sumiu de repente levando  com ela  o ar denso. Vikhio virou-se surpreso e deparou-se com uma criatura pálida, alta e com olhos negros, usava um capuz e por ele escorraim cabelos brancos como a neve. Era uma elfa de orelhas pontudas e pele palida.
 – Quem é você e por que atrapalhou minha luta com... Aquilo? – Perguntou ele confuso.
 – Sou Veelen, e você deve ser Vikhio, e esses seus amigos... Nyhol, Raslëaalta e Drornmi correto? Prazer. – Disse ela estendendo a mão para cumprimenta-los.
 – Sim somos nós... Alias como sabe disso? – Perguntou Raslëaalta surpreso.
– Suas histórias acabaram se espalhando pelo continente, inclusive pelo reino de Agallar. E convenhamos que uma pessoa que é chamada de montanha humana não é difícil de reconhecer ? Mesmo nunca tendo o visto.
     Vikhio foi o último a se juntar ao grupo, ele antes era um caçador de recompensas que trabalhava para o rei de Mormontello, um reino que se encontrava ao norte de Agallar. Eles se conheceram justamente quando a cabeça de Nyhol, Raslëaalta e Drornmi estavam a prêmio, e ao invés de mata-los ou leva-los para o rei, resolveu se juntar a eles, principalmente por parecer mais rentavel trabalhar por conta própria do que ficar a mercê de um rei que era conhecido como tirano.
Após uma breve conversa, Veelen disse:
– Quero me juntar a vocês...
– Você não me parece confiável. – Disse o Drornmi de prontidão.
 – O continente está repleto de criaturas, elas são chamadas de furvas, são demônios de um plano astral que nós, magos demoníacos, chamamos de Yogfaugn. Eles só podem ser derrotados com magia das trevas... Até onde sei furvas só poderiam chegar ao nosso mundo através de um portal, meu dever como maga demoníaca é combater e tentar descobrir quem, e como abriu esse portal...
– Pensei que magos demoníacos não se importavam com os mortais.– Disse Drornmi sarcástico.
– Eu posso viajar com vocês? – Insistiu Veelen impaciente.
     Vikhio olhou para todos os seus companheiros, parecia incomodado com a presença da elfa, disse:
– Bom me salvou, eu não saberia como vencer aquela coisa, Ela pode vir a calhar.
– Amigos, sou impedido pelos dogmas de minha fé , a aprender magia das trevas ou qualquer arte negra, ou seja, eu não sou capaz de deter essas criaturas. Acho que a elfa poderia se juntar  a nós – Disso Nyhol com um leve sorriso.
– Concordo! – Disse Raslëaalta fazendo sinal de positivo para Vikhio.
 Todos olharam Drornmi aguardando sua opinião... E depois de refletir por um segundo disse:
– Bom, já que todos estão de acordo, ela vem conosco.
     Veelen abriu um sorriso sincero, estava aliviada, disse:
– Obrigado, estava perdendo as esperanças ... Bom agora o que iremos fazer?
     O anão olhou surpreso para ela, parecia confuso, e disse:
– Você não tem que descobrir quem abriu o portal para aquelas coisas virem para ca ? Você decide só que nós exigimos um pagamento pelos nossos serviços.
a elfa não tinha dinheiro, nem se quer sabia como completaria sua missão, mas tinha certeza que estava frente ao maior grupo de mercenários do continente, apos pagarem a conta, partiram rumo ao norte pela floresta.

NOITES SOMBRIAS

NOITES SOMBRIAS 

parte 1




O barulho da chuva era tudo que ele conseguia ouvir naquela hora. Ainda estava chocado com o que acabara de acontecer. O garoto exótico de um metro e meio, cabelos brancos e olhos amarelos, tentava se lembrar do que acontecera. Suas orelhas pontudas e pequenas prestavam atenção ao som das gostas caindo. Vestia roupas rasgadas, feitas de pele de animais, que naquela hora era a única coisa que o aquecia. Sua irmã, agarrada a ele, chorava tentando se esquecer do que vira. Era jovem, tinha um metro e vinte. Seu cabelo era ruivo, e os olhos e orelhas eram iguais ao do irmão.

O garoto chamava-se Kyllus, e sua irmã Lúcia. Ela ainda era pequena demais para compreender o que avia acontecido. Mas ele não. Ele entendia que dois homens entraram em sua aldeia, não viu quando e nem como, mas entraram e começaram a destruir tudo. Seu pai, líder da aldeia, tentou os proteger até o fim. Kyllus ainda conseguia lembrar do pior momento de sua vida, na qual ele vira o pai ser cortado ao meio por uma foice.

Não sabia o porquê, mas se lembrava exatamente como era a foice. Uma arma comprida, por volta de um metro e setenta, com uma lâmia afiada o suficiente para cortar um homem ao meio com um único golpe, como fez com seu pai. Lembrava-se vagamente do homem que a usava. Não conseguiu ver seu rosto, mas lembrava-se das roupas, um manto púrpuro com alguns detalhes pequenos em preto. Nunca vira alguém vestido daquele jeito, e nunca havia visto também um poder daquele.
Junto aquele homem havia um mais baixo e corpulento, com algo mecânico no braço. Kyllus havia estudado um pouco sobre máquinas na vasta biblioteca de seu irmão mais velho, que também ajudara a proteger a aldeia, e provavelmente estava morto. Daquela maquina saiu o fogo que destruiu toda a aldeia.

Mas por que estariam lá? E por que o deixaram viver? após correr para longe de sua aldeia, ele tropeçara numa raiz de árvore e cai. Quando olhou para trás, os dois homens estavam parados em pé observando o desespero. Ficou paralisado pelo terror.
- Veja Jefrey, encontramos um sobrevivente – disse o homem mais baixo – O que devemos fazer com ele?
 - Deixe-o viver, para que conte a todos o que fizemos aqui, Asagog. Agora vamos. – Se viraram para partir mas antes o mais alto se virou e disse
– Nos encontre. Se quiser sua vingança.

Vingança. Era aquilo o que provavelmente moveria a vida de Kyllus. Antes que ele percebesse, havia se perdido nos pensamentos e dormido sentado no chão da caverna.

No outro dia a chuva já havia parado e o sol brilhava intenso no céu. Sua irmã ainda dormia, cuidadoso para não acorda-la levantou-se e saiu da caverna onde se esconderam e foi procurar comida. Procurou em algumas árvores próximas e achou algumas frutas. Correra tanto na última noite que achava estar no meio da floresta. Achava que, se estivesse correto, alguém apareceria lá e os levaria para algum lugar a salvo. Mas sabia também que aquela floresta estava cheia de perigos.
Voltou à caverna onde estavam e encontrou sua irmã, juntando alguns gravetos.

- Bom dia Lúcia – disse com um ar alegre, não sabia ao certo se ela entendia bem o que havia acontecido, mas achou melhor não tocar no assunto. – Está tudo bem com a minha irmãzinha?
 - Estou bem sim, mas meu braço dói um pouco.
 - Deixe-me ver – Kyllus se sentiu aliviado por não ser nada sério - Ah, foi só um corte leve. Vou colocar uma atadura e logo ficará bom – rasgou uma parte da roupa e amarrou no braço da irmã. Sentaram e comeram as frutas que ele havia pegado.

Passaram um tempo em silêncio, até que Lúcia perguntou:
 - Irmão, pra onde vamos agora?
 - Ficaremos aqui por enquanto - nem mesmo Kyllus sabia a resposta para essa pergunta.

Um mês havia se passado e ninguém avia passado por ali. Eles se acostumaram um pouco com aquela vida, apesar de suas dificuldades. Depois de alguns dias Lúcia começou a tossir um pouco, e ele não sabia como ajudá-la.
Numa manhã, ele ouviu passos na mata, passos que não eram de animais. Preocupado em arranjar remédios para a irmã, Kyllus levantou e fez um sinal para Lúcia ficar quieta, colocando o dedo sobre o lábio. Pegou sua adaga de madeira e subiu em uma árvore próximo à entrada da caverna, agachou num galho. Olhou ao redor e viu a figura de uma mulher que caminhava por lá calma e despreocupada.

De estatura média,cabelos castanho avermelhado. Cortava a mata fechada com um sabre. Vestia uma armadura de couro sobreposta por um peitoral e braçadeiras de metal.
Kyllus instintivamente atacou a mulher que aparou o golpe com o sabre, jogando Kyllus no chão. 

- Veja só o que temos aqui – disse a mulher. Seus olhos eram castanhos e sua face era lisa e bela, como a de uma deusa – o que pensa que esta fazendo rapazinho?
 - Me solte e eu lhe mostrarei o que quero! – Kyllus tentou se levantar, mas a mulher o rendeu com o sabre no pescoço.

ficaram en silencio por um instante, como se estivessem se estudando. até que ouviram um barulho na mata onde se encontrava a caverna. De repente, uma pedra voou na direção da mulher, que se desviou sem dificuldade.
 - Quem está ai? – perguntou a mulher sem obter resposta.
 - Lúcia, corra! – alertou Kyllus
 - Lúcia? – perguntou a mulher, confusa.
Mas Lúcia não ouviu o aviso, saiu da mata correndo em direção à mulher com uma pedra na mão. Ela chorava assustada, tentou salvar o irmão. Porém, a mulher, arrancou a pedra da mão da menina com um golpe de sabre. 

A mulher, ainda confusa, se afastou de Kyllus, que levantou com um pulo e agarrou a irmã para protegê-la.
 - Me explica – disse a mulher gesticulando – o que duas crianças estão fazendo sozinhas no coração de Sambúrdia? Onde estão seus pais?
 - Mortos – respondeu Kyllus abaixando a cabeça com um olhar triste
– nossa aldeia foi atacada e só sobramos nós, até onde sei.
 - Poderia explicar o que aconteceu?

Kyllus começou a contar o que havia acontecido naquela noite. Contava todos os detalhes que conseguia se lembrar. Já havia tempo que não pensava no assunto.

- Pois bem, já me decidi. – Disse estendendo a mão aos dois - Irei leva-los até a Capital Sambúrdia, lá tem um templo de monges que cuidarão de vocês dois até terem idade para se cuidarem sozinhos.
Naquele momento, o brilho nos olhos dos dois parecia iluminar anoite.

Kyllus segurou a mão da mulher. Apesar de não admitir, era um garoto assustado e traumatizado.
 - Que os deuses te abençoem moça – disse Kyllus a beira das lágrimas -  Mas no fim das contas, esqueci de nos apresentar, meu nome é Kyllus, e essa é minha irmã Lúcia.
  - Quantos anos vocês tem, por curiosidade?
 - Eu tenho10 e ela tem 5. E qual o seu nome moça?
 - Meu nome é... – pensou um pouco como se tivesse esquecido o próprio nome, mas respondeu - Diana. Isso, Diana. Prazer em conhecê-los. Agora vamos, é uma longa caminhada até a Capital.

Partiram rumo a Capital Sambúrdia naquele dia, depois de um mês de sofrimento nas sombrasda floresta, finalmente viram uma luz para guia-los.
E essa luz os guiaria pelo resto da vida.

os irmão nunca tinham vist nada tão grandioso quanto a capital Sambúrdia, ficaram maravilhados pela beleza das ruas e construções, enquanto sua guia improvisada lhes mostrava cada canto da cidade. 

A capital era grande, seus muros tinham pouco mais de vinte metros de altura, as casas, na maioria, eram feitas de tijolos, mas havia também casas de pedra ou madeira. Eles nunca haviam visto tantas pessoas num mesmo lugar.

Chegaram a praça da cidade, localizada no marco zero de um lugar que já fora uma vila. Naquela praça se encontrava o Palácio das Folhas, um pequeno castelo com três andares de altura, de onde o Rei governava a cidade. A praça ocupava uma grande aréa em frente ao palácio. No centro da praça havia uma grande feira, cheia de pessoas. Ao lado esquerdo da praça se encontrava a Taberna do Galho Seco, uma das mais famosas do pais. 

O destino de Kyllus e sua irmã os aguardavam. O monastério da cidade e também a igreja matriz. Diana havia dito que lá os monges os tratariam bem e ensinariam a vocação que eles quisessem. Explicou que eles poderiam ser o que quisessem.
  
Kyllus e sua irmã não sabiam exatamente o que queriam ser, mas queriam ficar juntos, pois agora os dois só tinham um ao outro de família. Chegando a entrada da igreja, Diana agachou e disse:
  - Agora é só entrar e conversas com os monges, boa sorte pra vocês.
  - Você não vai com a gente, Diana? – perguntou Lúcia, triste com a despedida.
  - Não posso, pequena.  –  os encarou com orgulho - mas foi um imenso prazer conhecer vocês dois. Lúcia, torne-se uma mulher forte, para que um dia possamos nos encontrar de novo,e nos aventurar pelo mundo e, Kyllus, cuide da sua irmã, vocês tem um grande futuro pela frente.
 -  Cuide-se, Diana. Não nos esqueceremos de você – disse Kyllus.
- Tenho que ir, crianças, boa sorte – sorrindo mulher virou as costas e se foi.
Kyllus se virou para o templo e entrou, seguido de perto por sua irmã, que parecia com medo do que poderia acontecer. O lugar não era grande, tinha quatro fileiras de bancos espaçosos, duas de cada lado, com um tapete vermelho no meio delas. No fundo, havia um altar de mármore, com um livro aberto sobre ele. Um homem o lia concentrado, ele vestia um manto verde com alguns poucos detalhes em marrom, um capuz cobria seu rosto, e no peito havia o desenho de uma árvore sem folhas. Atrás dele havia uma estátua de uma mulher com cabeça de boi, vestida com uma toga branca. Em sua mão esquerda havia um bordão, um tipo de cajado, porém menor; na outra mão, estendida aos céus, havia uma pequena árvore, também sem folhas. atras da estatua uma porta que levava para os outros cômodos da igreja.

Os dois se dirigiram até o altar e, ao chegar lá, o homem finalmente percebeu a presença de ambos, fechou o livro e levantou. Foi em direção a eles e disse:
- Bem-vindos ao templo de nossa deusa Alihanna – Disse o homem - em que lhe posso ser útil?
- Bem –falou Kyllus, sem saber muito o que dizer – Uma amiga nos disse que aqui encontraríamos abrigo. Nossa vila foi atacada e não temos mais para onde ir.
- Oh, minha deusa. Venham, vou leva-los para um lugar mais confortável onde poderão me contar sua história.
 - Obrigado, senhor, somos muito gratos.
 - Ora, mas onde estão meus modos. Meu nome é Mathias, eu sou o Ancião do monastério de Allihanna, deusa da Natureza.
  - Eu sou Kyllus – se apresentou – e essa é minha irmã Lúcia.
Mathias os levou para trás da estátua, onde havia uma porta. Depois dela havia uma escada em espiral que levava ao andar subterrâneo da igreja. Foram conduzidos pelas escadas e chegaram a um amplo salão, onde haviam mais pessoas vestidas com o mesmo manto verde com detalhes marrons. O salão era cheio de mesas compridas, cheias de comida e vinho. Atravessaram todo o amplo salão e entraram numa porta no fim da parede a direita. Ela levava a um corredor espaçoso. O monge os conduziu até a primeira porta aberta.
- Esse quarto está vazio no momento, vocês podem ficar nele – disse o homem – naquela porta a esquerda está o banheiro, vou chamar alguém para preparar um banho para os dois. Fiquem a vontade, se limpem e voltem para o salão, onde poderemos conversar com mais calma.

- Obrigado, senhor – agradeceu Kyllus
- Vi que os dois não têm nenhuma mochila ou mala, não trouxeram nada com vocês?
- Só as roupas do corpo, senhor.
- Pois bem, vou providenciar roupas limpas para vocês também, não se preocupem – Virou-se e sail apressado.
No quarto havia duas camas de solteiro, ao lado delas havia mesas auxiliares. Aos pés das camas havia pequenos baús para guardarem seus pertences. No canto do quarto havia uma cômoda com duas gavetas compridas. Lúcia se apressou e sentou na cama da direita. Pulou um pouco para ver se lhe era agradável. Satisfeita, deitou-se e disse ao irmão:
- Essa cama vai ser a minha – disse – ela é bem confortável.
- Tudo bem, Lúcia, eu fico com a outra cama – riu de leve.
Kyllus sentou na própria cama e percebeu que era realmente confortável. Olhou para a irmã, que cambaleava de sono. Realmente, aquele quarto chamava por um bom descanso. Mas ele não podia dormir agora, levantou-se e olhou o baú ao pé da cama. Estava vazio, assim como a cômoda e as mesas auxiliares. Colocou sua adaga de madeira lá e o fechou. Ouviu alguém na porta:
- Entre – disse Kyllus.
- Com licença – Mathias entrou, acompanhado por uma mulher, que segurava uma bacia com roupas limpas e duas toalhas – Kyllus, Lúcia, essa é Minerva, ela vai dar banho e vesti-los. Depois me encontrem na primeira mesa depois da porta do corredor, estarei esperando por vocês, devem estar com fome.
- Sim, senhor, já vamos. – disse Kyllus – pode tomar banho primeiro, Lúcia. Eu espero.
- Tudo bem – levantou-se e  sorriu para o irmão, que sorriu de volta. 
- Precisa de algo mais, Kyllus? – perguntou Mathias, parado na porta.
- Não, senhor – disse, mas antes que o homem saísse, perguntou – quanto tempo poderemos ficar aqui?
- O tempo que for necessário, meu jovem.
- Obrigado, senhor.
- Ah, e pare de me chamar de senhor, me sinto velho assim – riu carinhosamente – me chame Mathias.
- Sim, sen.. – interrompeu-se – Sim, Mathias.
- Assim está melhor. Bem, eu vou indo, te encontro no salão – saiu e fechou a porta do quarto.

Depois de algum tempo, Kyllus e Lúcia já estavam devidamente limpos e com roupas limpas. Minerva colocara a roupa dos dois na cesta e dirigiu-se a porta, saíram do quarto e foram em direção ao salão. Lá chegando, sentaram-se, e o velho lhes ofereceu comida e água, estavam mortos de fome. Quando terminaram a refeição, Kyllus começou a contar ao monge a sua história até aquele dia. Quando terminou, Mathias ficou um pouco pensativo, e logo disse:
- Meus pêsames, crianças – disse com um olhar de compaixão – se quiserem, o monastério estará aberto a vocês.
- Obrigado, Mathias. Diana nos disse que poderíamos aprender várias coisas aqui.
- Sim, poderão. Mas a questão é, o que querem aprender?
- Lúcia não sabe ler e acho que seria bom para ela. Eu gostaria de aprender a luta e ser forte.
- E magia, não se interessa por ela?
- Eu não sei nada sobre isso, mas poderia aprender.
- E no que vocês são bons?
- Eu sei lutar – disse Kyllus orgulhoso – talvez um pouco de artesanato e sobrevivência.
- E você, Lúcia? – perguntou o velho – não disse nada ainda.
- Bem, eu não sei fazer muita coisa – disse a menina, que era um tanto quanto tímida falando com estranhos.
- Tenho certeza que aprenderá – disse Mathias, confiante.

O tempo passou e os jovens se dedicaram aos oficios monásticos. Kyllus havia descoberto um gosto por magia e artes ocultas, Lúcia também se fascinara pelas mágicas que o irmão conseguia fazer. 

passavam muito tempo na biblioteca do monastério, Kyllus lendo sobre magia e os deuses, e Lúcia aprendendo a ler, com Minerva a amparando nos erros e elogiando os acertos. Mathias se sentava com eles e se orgulhava do progresso. Nos messes que estavam lá o velho se dedicara muito a cuidar dos dois, assim como Minerva, que adquirira um carinho especial pelas crianças. 

Kyllus parou de ler para prestar atenção no Ancião:
- Crianças, vejo que estão se empenhando muito no quesito da magia, me dói falar isso mas, acho que aqui não é o lugar para vocês – ambos o olharam assustados – não me entendam mal, não quero lhes expulsar daqui. Mas há um lugar aonde poderiam aprender muito mais sobre a magia e como usá-la – ambos continuaram em silêncio, ouvindo – em Kalhyfor, há um templo e monastério dedicado a Deusa da Magia, Wynna. Provavelmente lá poderão lhes ensinar muito mais do que poderíamos aqui.
- Mas como iremos até lá, Mathias? – perguntou Kyllus – e além do mais, ainda podem nos ensinar aqui.
- Sim, podemos, mas será um aprendizado muito menor e mais lento do que teriam lá – o velho sentia-se triste tendo que deixa-los, mas seria melhor para eles – amanhã bem cedo uma caravana sairá daqui a Kalhyfor, vocês podem ir com ela. Providenciaremos suprimentos e roupas para a longa viagem.
- Bem, então acho que teremos que aceitar a proposta – Kyllus olhou para a irmã, que confirmou balançando a cabeça – Iremos , Mathias.
O velho levantou-se e os levou até o quarto, onde prepararam suas coisas para a viagem. Na manhã seguinte, depois de uma longa e dolorosa despedida, partiram da Capital Sambúrida, em direção a Kalhyfor.
Em direção ao seu próprio futuro.