O Sol tombava diante dos altos picos gélidos, e de seus cumes, pequenos flocos de neve eram carregados pelo zéfiro que cruzava os bosques verdejantes, até parar nos campos garridos dos fiordes. Três crianças voltavam, cansadas e sujas depois do plantio para casa. Assim que sentiram a geada trazida pela brisa aproximar-se, correram até a rustica e humilde choupana para esquentarem-se. Enquanto o guisado era cozido num velho caldeirão, um homem de idade repousava, ponderando a cada instante que lhe restava.
- Vovô Dir! - Exclamava um de seus netos.
- Diga meu querido! O que queres do teu velho avô?
- Conte-nos uma historia! - Dizia o outro.
O ancião ficara eufórico de repentino. Um largo sorriso formou-se dentre as madeixas grisalhas e desengrenadas de seus cabelos e barba compridos.
- Pois bem! Sentam-te sobre o couro de corso à minha frente para ouvirem a história que tenho para lhes contar!
Os pequenos sentaram-se com rapidez, animados para ouvirem.
- Esta, é a história de um bravo, valoroso e heroico guerreiro do nosso povo: o conto de Bronddir, O Intocável! – Prosseguia com tamanha euforia.
- Bronddir quando jovem teve teu clã destruído pelas tribos barbáricas do nordeste, que não pouparam nada de tua vila, matando todos e deixando o vilarejo às cinzas! Felizmente, a família de Bronddir conseguira refugiar-se nas terras do norte, onde mais pessoas do teu povo estavam instaladas. Colérico, Bronddir treinara mais no combate, com a sede de vingança e a ira salivando em tua consciência.
Com facilidade, Bronddir superava cada mestre que lhe ensinava novas técnicas, e aprendia rapidamente cada movimento com invejável destreza. O talento foi reconhecido quando ele enfrentou sozinho cinco de teus mestres, e venceu todos empunhando apenas uma scramasax, não sofrendo sequer um arranhão. Suas habilidades eram tão deveras estrondosas, que Bronddir fora introduzido como um dos Huscarls de Canuto, O Grande e por ele recebera o título de Bronddir, O Intocável ...
- Continue vovô!
-... Bronddir foi então chamado ao dever em uma batalha contra os normandos, junto com o resto dos Huscarls da guarda do rei. Ao seu comando, um pelotão de cem dos melhores homens da guarda enfrentou uma divisão de quinhentos homens do exército inimigo. A batalha começava... Os dois lados tiveram perdas enormes, principalmente para o lado de Bronddir.
Restavam trinta de teus homens ainda em pé, os outros estavam gravemente feridos e outros tantos já mortos. O inimigo tinha ainda cem homens à disposição, preparando para esmagar seus inimigos em uma única e letal investida. Mas Bronddir e seus homens os rechaçaram, enraivecidos com a queda de seus camaradas em batalha. Bronddir lutava com destreza e furiosamente, seus movimentos eram rápidos e ladinos. Desviava dos golpes com extrema calma, parecia dançar numa dança mortal de lâminas afiadas. Com seu escudo, ele defendia os golpes dos inimigos, que ao acertar, provocava um estrondo de trovão tão forte que fazia os colossos de pedra do norte estremecerem. Seus golpes eram desferidos com a ira dos ancestrais, rasgando a pele dos inimigos que de dor urravam. O comandante normando foi o próximo a lhe enfrentar e com um golpe em cheio ele acertara a canela de Bronddir, que com ódio largou tua Sax e com a força de cem homens esmurrou-lhe a face. Desacordado, este notou que seus homens o haviam abandonado depois que enfim despertou. Bronddir não o poupou, o decapitou e levou seu cranio como troféu.
- Mas vovô, ele recebeu um golpe no final... Ele não merecia mais o título "Intocável"!
Gargalhando, o velho levantou-se e sem dificuldade alguma caminhou até um baú, onde dentro repousava um escudo de carvalho e uma Sax levemente enferrujada. De costas, ele disse:
- A lamina se partiu ao tocar a pele do guerreiro... eram realmente tempos gloriosos!

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